O crescimento da Ministra do Turismo e pré-candidata pelo PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, nas pesquisas de intenção de voto levou os tucanos a acelerarem as negociações para uma possível aliança com o DEM já no primeiro turno. Não é novidade para ninguém que o partido do ex-presidente FHC vem passando por um “racha” interno no que diz respeito ao nome que deverá concorrer à prefeitura paulistana.
O racha, a essa altura do campeonato, não se refere ao objetivo em si de cada um dos grupos, já que ambos buscam uma aliança com os democratas. O meio de se obter essa aliança é que tem sido o “pomo da discórdia” entre os partidários de Alckmin e os de Serra. Neste sentido, Serra defende que o PSDB abra mão de uma candidatura própria para apoiar a reeleição de Gilberto Kassab.
Nesta terça-feira, dia 8 de abril, por exemplo, enquanto inaugurava, ao lado de Kassab, um hospital no M’Boi Mirim, zona zul da capital, o governador José Serra salientou a importância da continuidade do governo Kassab. Na contramão, o ex-governador Geraldo Alckmin passou a terça-feira em Brasília, junto à bancada tucana no Congresso Nacional. Alckmin quer também aliança com o DEM, mas com Kassab abrindo mão de disputar a reeleição e apoiando a candidatura tucana.
O certo é que enquanto Serra e Alckmin ficam nessa queda de braços dentro do partido, Marta Suplicy ganha terreno para crescer ainda mais nas pesquisas. Alckmin insiste em negar que o racha tucano atrapalhe a sua candidatura, mas a verdade é que ele anda bastante preocupado com essa questão. Caso contrário, não teria ido até Brasília pedir o apoio dos amigos tucanos para indicarem sua candidatura.
Como este blog destacou em um post anterior, estrategicamente seria mais interessante para o DEM se unir com o PSDB já no primeiro turno, mediante a desistência de Kassab de disputar a reeleição. Afinal de contas, é muito remota a possibilidade do atual prefeito crescer tanto a ponto de ir para segundo turno.
Tudo bem que, caso ele não vá para o segundo turno (hipótese mais aceitável dentro da atual conjuntura), a aliança PSDB-DEM será reatada no segundo turno. Isso é fato. Mas o termo de troca é desinteressante para os democratas, já que, no caso de uma vitória da coligação, Kassab ficaria sem cargo ou com um cargo de segundo escalão, diminuindo sua visibilidade para 2010.
Se formos analisar essa situação à luz da Teoria dos Jogos, da Microeconomia, veremos que a melhor saída para Kassab é mesmo abrir mão da candidatura própria, apoiando já em primeiro turno a candidatura de Geraldo Alckmin. Mas este blog faz questão de destacar que a aliança em primeiro turno não é condição suficiente para alavancar a candidatura Alckmim, posto que Marta conta com um importante aliado:o PMDB.
Apesar da aliança formal ainda não ter sido confirmada, tudo indica que os peemedebistas devem apoiar a candidatura de Marta Suplicy. E, neste caso, Marta tem muito mais a ganhar com o apoio do PMDB do que Alckmin com o apoio dos democratas.