A divulgação de duas pesquisas – Datafolha e Ibope – mostrando uma ligeira vantagem da petista Marta Suplicy sobre o tucano Geraldo Alckmin na corrida pela prefeitura de São Paulo, deve acelerar ainda mais o processo de formação de alianças para o 1º turno das eleições. Se há uma semana o PMDB estava flertando com o PT e também com o PSDB, o que parece mais concreto hoje é que, na atual conjuntura, os peemedebistas devem sim apoiar a candidatura petista.
Vamos entender o porquê:
1º. O avanço de Marta nas pesquisas de intenções de voto tem preocupado bastante os tucanos, que buscam, por sua vez, forçar uma aliança com o DEM, de Gilberto Kassab;
2º. O DEM parece não estar muito empolgado com a idéia de aliança com o PSDB já no primeiro turno (apesar deste blog considerar que esta seria a melhor alternativa para Kassab,pois dificilmente ele chegará ao segundo turno), o que deve enfraquecer ainda mais os tucanos;
3º. Com o PSDB e DEM voltando suas atenções mais para a especulação sobre uma possível aliança e menos para a corrida eleitoral em si, o PT tem espaço de sobra para crescer mais. E o PMDB sabe disso, o que inevitavelmente vai levar a cúpula peemedebista a apoiar Marta Suplicy.
Circulam, inclusive, pela imprensa informações de que Orestes Quércia (PMDB) já teve uma reunião secreta com Marta Suplicy para esboçar um acordo, segundo o qual os peemedebistas indicariam um nome do partido para compor a chapa da petista. Neste aspecto, o PMDB apoiaria Marta agora em 2008 em troca de um apoio do PT para um candidato peemedebista na disputa por uma vaga no Senado em 2010.
Vale lembrar que nas eleições de 2010, serão eleitos dois senadores por São Paulo, já que terminam os mandatos de Aloízio Mercadante (PT) e Romeu Tuma (PTB). Ou seja, como uma aliança entre PT e PMDB tende a favorecer os dois lados, Quércia e Marta estão dispostos a esquecerem as arestas do passado e caminharem juntos rumo ao Banespinha.
E outro aspecto que o Coisa da Pólis julga importante: estrategicamente falando, é muito mais “jogo” para o PMDB se unir com o PT do que com o PSDB ou DEM. Afinal de contas, o que o PMDB quer é garantir o apoio para uma das vagas ao Senado em 2010 por São Paulo.
O PSDB, naturalmente, esboça um quadro no qual apoiará um candidato tucano e outro democrata para a disputa pelo Senado daqui dois anos, respeitando a tradicional coligação PSDB/DEM, que se não acontecer no primeiro turno, indubitavelmente sairá no segundo turno.
E onde fica o PMDB nesta história? Aí que está a resposta… o PMDB não fica! Dificilmente os tucanos abririam mão de uma coligação forte em nível nacional (no caso, PSDB/DEM), em virtude de um apoio em uma eleição municipal, ainda que estejamos falando de São Paulo, considerado o termômetro eleitoral do país.
Desse modo, o mais factível é de que o PMDB sele o acordo com o PT, já que, assim, poderá “matar dois coelhos com uma paulada só”. O primeiro deles é ter garantido o apoio para uma vaga no Senado (o que não acontece no caso de uma aliança com o PSDB, como mencionado acima).
E o segundo é que, caso Marta ganhe a eleição este ano e em 2010 resolva disputar o governo do Estado (ou a Presidência da República, quem sabe), o PMDB ainda levará de bônus a Prefeitura de São Paulo. É ou não é um negócio da China para o PMDB?
Por: Leandro Paterniani